4 de mai de 2012

ALBERICO ANTUNES DE OLIVEIRA ENXERGOU BETTY ANTUNES DE OLIVEIRA COMO PIANISTA, ORGANISTA, MAESTRINA, PROFESSORA, PASTORA, PESQUISADORA, HISTORIADORA, ESCRITORA, JORNALISTA, ...

No Protestantismo Histórico vários homens de Deus valorizaram mulheres de Deus numa época em que a maioria dos homens defendiam e / ou defendem que, na igreja: • as mulheres se reúnem para oração; • praticam a beneficência; • estudam; • promovem reuniões de evangelização; • promovem estudo bíblico nas casas; • cuidam das crianças e das moças, para as quais também foram criadas sociedades; • eventualmente pregam; • se dedicam a outras atividades, em geral, com grande dedicação. (19) A biografia de um desses homens está registrada no sítio da Câmara dos Deputados http://www2.camara.gov.br que relata a história de um homem, Pastor Alberico Antunes de Oliveira, que foi Professor, Jornalista, Advogado, Teólogo, Filósofo e Pastor, no entanto, não impediu sua esposa, Betty Antunes de Oliveira, de exercer o seu ministério e de se posicionar como uma mulher de luta pelo reconhecimento da mulher na Convenção Batista Brasileira. O sítio da 1ª Igreja Batista do Rio de Janeiro http://www.pibrj.org.br registra que Betty Antunes de Oliveira nasceu em 13/05/1919 e em 14/01/1938, na cidade do Rio de Janeiro, casou-se com o Pr. Alberico Antunes de Oliveira, tendo ido então para Manaus, onde seu esposo iria assumir o pastorado da Igreja Batista Local. Betty Antunes de Oliveira passou 50 anos de sua vida no Amazonas atuando na igreja como: • pianista das músicas congregacionais; • organista de quartetos de crianças, adolescentes e jovens; • maestrina de corais femininos e masculinos; • professora de música congregacional nas diversas organizações de Igrejas Batistas e no Conjunto de Igrejas Batistas. Ainda nesses 50 anos, Betty Antunes de Oliveira esteve também atuando na igreja como: • pastora, de meninas e meninos de rua, num bairro pobre da cidade de Manaus, onde, como fruto de seu trabalho evangelístico feito através de cânticos, fora organizada a Igreja Batista de Constantinópolis; • pesquisadora, estudando sobre os primeiros norte-americanos que chegaram ao Brasil no século XIX; • historiadora, concluindo que seus ascendentes norte-americanos haviam organizado, em 1871, a Primeira Igreja Batista do Brasil; • escritora, redigindo o livro “Centelha em Restolho Seco”, uma contribuição para a História dos Primórdios do Trabalho Batista no Brasil; • jornalista, escrevendo a biografia de Antônio Teixeira de Albuquerque, o Primeiro Pastor Batista Brasileiro (1880). Apesar de todo preparo no mundo espiritual e no mundo natural, Betty Antunes de Oliveira, durante todo este período, não teve o reconhecimento da Convenção Batista Brasileira com respeito ao trabalho realizado. O Professor Doutor Alberto Kenji Yamabuchi, da Universidade Metodista de São Paulo analisou o debate sobre as origens do trabalho batista brasileiro, que ocupou o cenário político da Convenção Batista Brasileira entre os anos 1960-1980 e foi protagonizado por duas figuras com representações sociais distintas: de um lado, o Pastor José dos Reis Pereira, Presidente da Convenção Batista Brasileira e do outro, a Professora Betty Antunes de Oliveira, esposa do Pastor Alberico Antunes de Oliveira. A tese do Pastor José dos Reis Pereira era a de que o ano de início do trabalho batista brasileiro era 1882, na cidade de Salvador, BA (19) e a tese da Pesquisadora Betty Antunes de Oliveira era de que os primórdios do trabalho batista no Brasil aconteceu no ano de 1871, na cidade de Santa Bárbara, SP,(18)através da apresentação e da interpretação das fontes e dos documentos históricos levantados pelos dois lados. Segundo o docente, o processo do debate aconteceu da seguinte forma: 1. Em 1960, o Pastor José dos Reis Pereira declarou publicamente, através de O Jornal Batista, que 1982 seria o ano comemorativo do centenário dos batistas brasileiros. 2. Em 1966, a Historiadora Betty Antunes de Oliveira publicou a sua descoberta, através de O Jornal Batista e, portanto, o centenário dos batistas brasileiros deveria ser celebrado em 1971. 3. Em 1969, a Convenção Batista Brasileira decidiu em Assembléia Geral Ordinária pela tese do Pastor José dos Reis Pereira, que foi, a partir daquele ano, considerada a narrativa histórica oficial do início do trabalho dos batistas brasileiros. 4. Em 1982, o centenário dos batistas foi celebrado e, apoiado e patrocinado pela Convenção Batista Brasileira, o Pastor José dos Reis Pereira publicou o seu livro “História dos Batistas no Brasil”, que se constituiu a obra historiográfica oficial do centenário da denominação. 5. Em 1985, a Escritora Betty Antunes de Oliveira, precisou usar recursos próprios e contar com a ajuda de terceiros, inclusive pertencentes a outras tradições de fé, para publicar a sua obra, “Centelha em Restolho Seco”, uma contribuição para a História dos Primórdios do Trabalho Batista no Brasil. 6. Em 2009, a Convenção Batista Brasileira, em Assembléia Geral Ordinária, presidida por uma mulher, a Vice-Presidenta Nancy Gonçalves Dusilek, resolveu repensar a decisão de 1969 e substituiu a tese do Pastor José dos Reis Pereira pela da Jornalista Betty Antunes de Oliveira. O Pastor Alberico Antunes de Oliveira poderia ... • ter mantido Betty Antunes de Oliveira atuando somente como esposa de pastor: aparecendo ao lado dele em cultos, recepções, reuniões, assembléias, etc.; • ter permitido que Betty Antunes de Oliveira se limitasse a administrar o lar sozinha: lavando, passando, cozinhando, arrumando, fazendo tricô, crochê, bordado, costura, cuidando do marido, das filhas, dos filhos, etc.; • ter limitado a atuação de Betty Antunes de Oliveira na igreja como pianista, organista, maestrina e professora de música. No entanto, Alberico Antunes de Oliveira, o marido de Betty Antunes de Oliveira, demonstrou ser um homem de Deus ao enxergá-la como uma mulher capaz de: • pastorear crianças, adolescentes, jovens, mulheres e homens como ministra de música, ministra do Evangelho, etc.; • estudar a origem da denominação que escolheu para servir a Deus; • questionar a tese defendida pelo Presidente da Convenção Batista Brasileira; • publicar um livro em defesa de sua tese, mesmo não contando com o apoio e o patrocínio da Convenção Batista Brasileira; • redigir a biografia do Primeiro Pastor Batista Brasileiro; • resistir na luta pelo reconhecimento de sua tese por 43 (quarenta e três) anos.